Dependência, decadência, vivência.
12 de abr. de 2010 by Rhaiffe Ortiz in

O ser humano é um bicho curioso, ainda mais se formos considerar que cada um é diferente do outro. Confesso que essa 'diversidade' me assusta, e me faz crer que nem se quiséssemos, conseguiríamos entender.
E essa questão de entender o outro já é uma pretensão passada pra mim, visto que nem eu tenho sido compreendido por mim mesmo. Essa metamorfose interior que muda, muda, muda, muda e muda, incansávelmente, e que um dia se comporta assim, e amanhã se comporta assado, como diria minha vó, é o que mais intriga (e irrita).
Sentir uma coisa forte, que parece sufocar seus pulmões a ponto de te matar, e no outro dia se fazer insignificante, insosso, chato. E o pior é pensar que no terceiro dia aquele sufoco volta. O que é isso? Sim, é loucura, mas uma loucura comum a maioria dos homens. Esse sufoco que parece ser dependência, que vai te levar pro poço se seu corpo se abster. Sim, dependência.
Aí vem o pensamento de que ninguém precisa de ninguém pra viver, todos somos auto-suficientes pra enfrentar a selva, que todos nascemos e a frase que o médico deveria falar é exatamente essa: 'Welcome to the jungle, baby', e te jogar no mundo pra você se virar. A gente sabe que não é assim, mas queria que fosse. Quem não queria bater no peito de dizer: SIM, EU VIVO SOZINHO, E VIVO BEM! Vai, na fé, você não vai conseguir, eu penso assim, e os mais crédulos da teoria anterior diriam que isso é decadência, decadência do ser-humano em achar que não consegue seguir sozinho. Tudo bem, cada um com sua opinião, eu continuo achando que não conseguimos, e não conseguimos, fato.
O que conforta é saber que tudo isso, aquele sufoco no peito, o baixo interesse no dia seguinte, o sufoco de novo, a vontade de viver sozinho, a necessidade de viver acompanhado (e como é bom viver acompanhado), tudo isso é vivência. VIVÊNCIA (em alto e bom Caps Lock), aquela que você vai contar pros seus filhos, netos, bisnetos, e vai lembrar quando tiver com sua bengalinha e sua cadeira de balanço na varanda. VIVA, seja sufocado pela decadência de achar que não consegue sozinho, ou sozinho na decadência de não ter alguém do lado. Por mais que eu tente, não consigo ser imparcial, sou um romântico nato, e não acredito na auto-suficiência sentimental, sentimento é algo que foi feito pra ser dado a outra, ou outras pessoas, não pra ficar trancado dentro de você. Um amor trancado no coração é como uma rosa guardada em uma caixa, e se me permitem a analogia, um dia essa rosa seca, e morre, e com o amor não vai ser diferente.
Das três opções dadas no título desse post, fico com a vivência. Nada de dependência, nada de decadência, VIVÊNCIA e só.
No último, no extremo, na tampa, vivendo da melhor, e maior forma, da mais abrangente, da mais intensa, da mais gostosa, da mais 'vivente' forma.

3, 2, 1, PLAY.